quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma bela derrota

O que se viu na noite desta quarta feira foi uma aula de como deve ser o futebol, dentro e fora do campo. Uma bela demonstração de como se perde um jogo. De como se perde um campeonato. De como se deve perder uma Libertadores.

Uma partida diferente, onde nem mesmo o Boca foi o Boca. Teve seus momentos, mas foi um Boca bem mais civilizado do que de costume.

E o Corinthians, nossa, como me deixa orgulhoso. Como nos deixa orgulhosos e digo isso em nome de toda a nação brasileira, principalmente os anti. Pois vimos um Corinthians que atingiu uma maturidade que vai além de qualquer time europeu. Maturidade que nenhum time brasileiro havia atingido. 

Uma torcida que empurra noventa minutos, sem parar. Não parou nem depois do apito final, nem depois de derrotados. Nação! Parabéns pelo apoio. Parabéns pela festa. Parabéns pelo comportamento. 

Saber reagir ao ganhar uma Libertadores foi fácil, é fácil. Mas precisávamos perder uma depois de ter sido campeão pra saber se realmente o Corinthians é o time forte que sempre acreditamos ser. 

Espero que São Paulo, Santos, Palmeiras, Cruzeiro, Internacional, e tantos outros campeões de Libertadores, com mais títulos e há muito mais tempo que o Corinthians, aprendam a lição desta noite. E que os próximos campeões (e torço muito pelo Atlético que vem jogando um lindo futebol) sigam essa mesma mentalidade. 

O futebol tem que mudar. Temos que crescer. 

É assim que se perde. Jogando, lutando, no campo, na bola. E com uma bela torcida ao lado, reconhecendo tudo que foi feito. 

Podia ter ganho, mas não seria tão sensacional.

Parabéns Corinthians!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Casamento estranho, com noivos esquisitos


Depois de já ter feito mais de trinta casamentos, do tempo em que trabalhava como técnico de som para a empresa de um amigo, nunca imaginei que o meu seria o mais difícil de todos e, imagino, que nem a noiva.

Não sei se é e todos, mas tudo que podia acontecer, ou melhor, não podia acontecer, aconteceu. Teve padrinho que faltou, vestido que não entrava, sapato de padrinho descolado, noivo perdido, noiva sem transporte. É, espero que nem todos passem os apertos que passamos, mas quer saber de uma coisa, foi até legal, na hora não, lógico, mas depois, até hoje, gera bastante risadas. 

A semana do casamento foi bem conturbada. Fora o matrimônio, outras coisas me roubavam o sono. A casa toda bagunçada esperando móveis chegar e o pior de tudo, a empresa que me trouxe para Poços, me fazendo deixar meu emprego de funcionário público e me prometeu mundos e fundos, resolveram não renovar meu contrato de experiência. Estão ruins das pernas, mandaram vários funcionários embora e fecharam algumas lojas do grupo além de cancelar alguns programas. Bom, não sou empresário, então, não cabe a mim criticá-los, até entendo o que fizeram, mas lógico, não é fácil passar por esta situação. Espero que quando as pessoas estiverem lendo isso, eu já esteja empregado em tranquilo novamente. Afinal, já fiz até entrevista na concorrência e enviei alguns currículos.

Voltando ao casamento, fui para Campos Gerais na quinta feira. Tinha a sensação de que tudo estava pronto. Achei que meu papel seria apenas entrar na igreja e dizer sim. Mas a vida é uma caixinha de surpresas, como diriam os “Melhores do Mundo”. Coisas começaram a surgir e problemas começaram a ser despejados em cima de nós, os noivos. Principalmente no dia do casamento. Na sexta de noite, uma pausa na loucura; fomos a uma pizzaria, comemorar com alguns padrinhos e amigos. 

Ainda na madrugada de sexta para sábado, lembramos que não tínhamos as músicas do casamento. Conectei na lenta internet que tínhamos, e comecei a procurar, consegui todas, mas não tinha CD para gravar as músicas. De manhã, lembramos ainda que não tinha os “trequinhos” de fazer bolha de sabão, então pedi a minha irmã e meu cunhado que saíssem para procurar isso para mim e também para comprar CDs. Sorte nossa que era sábado, então diversas lojas estavam abertas.

Próximo ao casamento, começaram a chegar os familiares e alguns amigos que iriam se arrumar na casa da noiva, e eu estava sozinho esperando o povo. Junto com eles, em uma correria enorme, começaram a chegar mais pessoas para entregar presentes.

E aqui faço uma pausa e um apelo. Por favor, pessoal. Nunca, jamais, vão entregar presentes para os noivos, meia hora antes do casamento. Isso é extremamente inoportuno. O que faz as pessoas imaginarem que os noivos estão à disposição delas alguns minutos antes do casamento. 

Voltando ao casamento, as preparações para ser mais exato. Faltando uns quinze minutos para a cerimônia, terminei de grava o CD com as músicas. Meu tio me levou a igreja. Todos já estavam lá, aguardando. Fui correndo a sacristia, onde a pessoa responsável pelas músicas não estava. Durante isso, muitas ligações e mensagens. Minha noiva não tinha como ir ao casamento, eu não tinha como ir buscá-la, não sabia quem poderia ir. As pessoas que pensava em ir buscá-la tinham que estar na igreja, pois eram padrinhos ou era meu pai. Não conseguia achar meu irmão. Os padrinhos, que não eram casais, não sabiam quem tinha que entrar com quem. Um dos padrinhos não apareceu porque achou que o casamento era de noite. 11h da noite, Pedrinho, onde? O sapato do João, outro padrinho, descolou. O homem da sacristia chegou, tive que ir correndo anotar todas as músicas para ele, alias, tivemos que ouvir tudo, porque não consegui lembrar para que era cada música. E ainda por cima, o padre estava atrasado. As meninas, sobrinhas da noiva, que entraram junto com ela, disse que o salão traria ela, então alguns padrinhos que poderiam resolver o problema de transporte, não se preocuparam.

Enquanto isso tudo acontecia na igreja, no salão onde a noiva se arrumava, às 11h, hora marcada para começar a cerimônia, a noiva ainda estava sem vestido. O porquê? A pessoa responsável para ajustar o vestido, errou, POR UM PALMO. Convenhamos, errar um ou dois dedinhos, vamos lá, mas um palmo, é coisa pra caramba. Com isso, o vestido teve que ser ajustado novamente.

Noiva na porta da igreja, música dos padrinhos tocando, todos entrando, o João arrastando o pé, eu aguardando a entrada. E que entrada. Nossa, parece que tudo parou, parece que todos os problemas de antes foram apenas uma brincadeira para valorizar aquele momento. A música escolhida para essa entrada triunfal foi o tema do “Senhor dos Anéis – o Retorno do Rei”, me senti o próprio Aragorn entrando no alto da cidade branca para se casar com Arwin. Coisa de casamento de nerd, fazer o quê, né?

Mas ainda lá, prostrado no altar, aguardando a entrada da noiva, parecia que não era o meu casamento. Não sei explicar bem como é a sensação. Mas não era eu. Só me caiu a ficha quando as portas se abriram, e lá estava ela, linda, como sempre havia imaginado. Sorrindo, com uma mistura de felicidade e nervosismo, mas ainda sim, o mais lindo sorriso que já vi. É, realmente era o meu casamento. 

E as falhas não terminaram por ai. Antes de entrar, a pessoa que tomava conta da cerimônia me disse que quando a noiva chegasse a três bancos do altar eu deveria busca-la e recebe-la com um beijo na testa. Para ela, as instruções foram outras. Ela parou no sexto banco e eu fiquei olhando, até o coroinha me falou: “vai receber ela”. Ah, é mesmo – pensei. E na hora de encontra-la fui beijar e testa e ela veio para me beijar, ficamos meio perdidos. Ela ainda falou: Ai, não pode beijar, né? E eu respondi: Não, doida. E fomos rindo para o altar, sem saber o que fazer, se íamos ao altar, esperava, como dar os braços, ela me deu o braço, eu falei: não, eu que sou o homens sua louca. E lá foram os dois, rindo, até diante do padre. E assim foi durante a cerimônia toda. Nunca vi noivos que conversaram tanto durante o casamento. Minha mãe ficava olhando feio. E a gente se divertindo. Na hora das alianças, erramos as mãos.

Depois foi só alegria, momentos de fotos, pra variar fazendo caretas. E o grande momentos. O que não poderia faltar no casamento desse jornalista doido. O hino do Corinthians, tocado em solo de saxofone, chamou a atenção de todos, principalmente daqueles que torcem para outros times, que quase não suportaram ver a flamula do Corinthians que retirei do bolso. 

Acho que pela cerimônia, deu pra gente ter noção de como será nossa vida a dois. Embora enrascados, sempre estaremos unidos, com sorriso no rosto e apaixonados. Juntos, nada pode nos atingir. E unidos, sempre venceremos os desafios, sejam quais forem.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

E que virada

É engraçado, a vida nos prega peças. Não gosto de colocar coisas pessoais aqui, apesar de já ter postado algumas vezes, mas não gosto. Mas, como eu dizia, a vida nos prega peças. Há quatro anos não imaginava o quanto a minha vida tomaria o rumo que tomou.

Estava só, não sabia o que fazer da vida e o meu time do coração estava rebaixado. Resolvi dar a volta por cima, ergui a cabeça e corri atrás. Comecei a fazer jornalismo e foi ai que tudo mudou. Coisas começaram a acontecer. Tive algumas oportunidades, conheci algumas pessoas, sai de casa, voltei pra casa, agora sair de casa de novo.

Alguns anos depois daquele fatídico 2008 tudo mudou, trabalho em algo que amo, estou de casamento marcado e meu time deu a volta por cima e ergueu a taça do mundial. Posso dizer que foi um ano de libertação.

Só espero que mais uma coisa mude, que eu comece a escrever mais aqui.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Uma pequena atualização

Um século depois, eis que retorno das cinzas. Acabado parte do estresse que foi esse ano, o TCC, agora as coisas estão um pouco mais leves. Mas, não o suficiente para que eu me sinta totalmente realizado. Ainda estou no meu antigo trabalho: agonizante, desestimulante e público trabalho. 

Estava olhando o quão mórbido estava essa site. Vamos tentar trazer de volta a alegria de sempre o começar com o carro chefe: o esporte.

Bom, na verdade vou falar que quero voltar a acompanhar os esportes, porque esse ano não tive tempo para nada. Até minha Fórmula 1, sagrada, ficou em segundo plano por causa do TCC. Mas vou tentar voltar como era antes.

Por falar na Fórmula 1, foi um temporada muito bacana de se ver. Muita ultrapassagens nas corridas e um campeonato decidido na última corrida, como sempre e bom. Nada desse negócio de vencer antecipado. Parabéns ao Sebastian Vetel pela conquista. 

No futebol, Fluminense campeão brasileiro, mas a grande sensação do futebol é o Corinthians na disputa do mundial. Chamam o corintiano de ladrão e á com essa fama que roubaram todas as atenções, mesmo fora da disputa do campeonato nacional. 

Outras novidades: como todos perceberam, eu me formei, agora não sou mais estudante de jornalismo e sim um jornalista desempregado; sou completamente apaixonado pela minha namorada/noiva; comprei um PS3 e estou muito feliz; e estou passando por uma leve crise de insegurança. Achei que seria fácil me formar e sair fora "daqui" (entenda-se: emprego atual). 

Mas é isso ai, meus caros leitores inexistentes. Não vou prometer ser mais assíduo, porque sempre sumo. Mas vamos tentar não sumir. Abraços a todos um ótimo final de semana e uma boa semana a todos. que venha o mundial..!!! 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

... sem palavras

A beleza da vida às vezes nos é revelada das maneiras mais incríveis. E quando as percebemos, devemos nos abraçar a ela, sem medo, e curtir, aprender, ensinar e vive-la.

Viver é um mistério e a vida nos prega peças. Os padrões caem por terra e nos encantamos por belezas diferentes, manias diferentes, pessoas diferentes.

E quando se vão? Nossa; como é difícil.

Difícil não ouvir as gargalhadas, as conversas sobre as novelas que eu não assisto, os questionamentos sobre as aulas, os comentários sobre a Giovanna Antonelli. O silêncio da casa é ensurdecedor. É quase impossível ficar lá. Tornou-se quase impossível continuar, ainda mais sabendo que não estará lá.

Mas, o que a perda nos traz, além da saudade, são as lembranças, que ficam mais fortes. Lembranças que renovam a vontade de continuar em pé, lutando, para chegar onde deveríamos e honrar aqueles que nos deixaram.

Sei que os fatos são inaceitáveis. Mas é a vida. É o ciclo dando mais uma volta. E a gente acaba matando a saudade, novamente, nas lembranças.

Cada qual com as suas. Cada um com seu cada qual.

Tim Maia fala muito bem disso e é com ele que me conforto e me confronto às vezes:

“Não sei por que você se foi / Quantas saudades eu senti / E de tristezas vou viver / E aquele adeus não pude dar...

Você marcou na minha vida / Viveu, morreu / Na minha história / Chego a ter medo do futuro / E da solidão / Que em minha porta bate...

E eu! / Gostava tanto de você / Gostava tanto de você...”

E foi um adeus que jamais pensei em dar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Adeus comandante

Todo garoto que se preze, e até mesmo algumas garotas, já sonharam em serem astronautas. Comigo não foi diferente. Cheguei até mesmo tentar, de verdade, mas acabei não tendo muito sucesso. Minha primeira decepção profissional: não conseguir entrar na Força Aérea.

Depois disso todos ainda tentavam me incentivar a seguir a carreira militar. “Que bosta”. Nunca quis ser militar, meu sonho era pilotar caças. Porque sabia que voando, chegaria cada vez mais alto, alcançaria o infinito dos céus e a liberdade dos pássaros. O no fim descobriria que não existe fim, pois o céu não é o limite para um garoto sonhador.

Acho que sonho não acabou. A vontade nunca cessou. O espaço ainda pode ser o sonho do menino que ainda vive dentro desse que vos escreve. Aquele garoto, que se entristeceu quando teve o sonho ceifado, estudou, aprendeu e descobriu mais do que, talvez, teria descoberto dentro do cockpit de uma patriótica sucata brasileira.

Ele descobriu o universo e muitos dos seus segredos. Mas ainda sustenta o inocente sonho de chegar lá, onde nenhum homem esteve antes.

Esta sessão nostalgia tem um propósito. Homenagear, de maneira humilde, aquele que alcançou esse sonho, mesmo que contestado. Esse final de semana, concluiu sua missão aqui na Terra o astronauta Neil Armstrong, comandante da missão Apollo 11 e primeiro homem a pisar em um solo fora do nosso planeta.



Obrigado comandante, por alimentar o sonho nos corações de tantos garotos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Torcedores - por Anderson Ferreira

Quarta-feira, 4 de julho. Ele acende a vela e apaga com um sopro o palito de fósforo que queimava como a esperança dentro de seu coração. Envolto com a bandeira do seu time, superstição em dias de jogos especiais, ora a São Jorge de uma forma como nunca fizera.


Pede proteção, pede gols, pede que seja vencedor do campeonato que parece não ter sido feito ao seu time. Assiste ao jogo em casa, na sala apertada, perto da TV de LCD que ainda deve oito prestações. Quase infarta no primeiro gol. Não pode gritar porque a mulher dorme no outro sofá e sempre fica brava ao ser acordada. Chora no segundo gol daquele moço careca, que parece ter nascido pra vestir a camisa que mais ama.


Quando termina o jogo, levanta-se, toma um pouco de água, abre a janela da sala e fica a ouvir os fogos que durariam a noite toda. Sente no rosto o vento daquele dia de inverno que jamais sairá de sua lembrança e que, muitas vezes, achou que nunca fosse chegar. A quatro casas dali, um outro sujeito apagava uma vela, bravo com seu santo de devoção por não ter atendido o pedido de infelicidade alheia. Deitado em sua cama, aqueles rojões pareciam punhaladas em seu coração. Tal como o vizinho, não dormiu naquela noite.


Quarta-feira, 11 de julho. Muitas velas queimam no altar improvisado de um dos quartos da casa. Flâmulas do time alviverde se misturam às imagens dos inúmeros santos. Agoniado, com o peito apertado, ele toma o remédio da pressão e afaga o gato que roça sua perna. O gesto é mecânico, pois ele só pensa no jogo que acabava de começar.


Grita palavrões aos montes em italiano. A mulher e a filha, já acostumadas ao seu jeito nessas ocasiões, ora se divertem, ora se preocupam. Gol do adversário. O cigarro, vício vencido há cinco anos, volta a fazer parte de sua vida. Um, dois e outros tantos. No cinzeiro, a prova de tamanho nervosismo. Gol de empate. O berro, que há muito não soltava, estava próximo, cada vez mais perto, quase dava para apalpá-lo. Ainda restava tempo para falar mal do árbitro, bandeirinha, narrador e vizinho.


Fim de jogo. Ele mexe no bigode e não desgruda o olho da televisão. Quer ver a taça, ver a festa na casa do adversário. Acende os rojões com o próprio cigarro e grita forte na varanda da casa. Muitos daqueles fogos ainda eram da semana anterior, quando os comprara acreditando na derrota do grande inimigo que não aconteceu. Estava aliviado e feliz. A quatro casas dali, o sujeito que festejara uma semana antes colocava o cobertor sobre a mulher. Caminhava pela casa procurando o relógio de pulso que não sabia onde havia colocado. Ao encontrá-lo, programou-o para despertar às sete da manhã e se deitou. Tal como vizinho, não dormiu naquela noite.


Tão pertos e tão distantes. Tão iguais e tão diferentes. Um precisa do outro. Um faz com que o outro permaneça grande. Os gigantes continuarão a roubar o sono de muita gente.


Vai Corinthians. Dá-lhe Palmeiras.